Friday, January 18, 2008

Um minúsculo sinal verde pisca sob a tela escura. Um bipe corta o silêncio da sala gelada. O silêncio e a penumbra são de tal forma perturbadores que ela chega a pensar que são eles a causa do frio intenso que está sentindo.

A enfermeira veio, ajeitou-a na maca coberta com um papel que imagina servir para manter o local higienizado e se foi. Quantas pessoas afinal deitariam naquela maca forrada de corino por dia? Parecia sensato cobrí-la com um papel trocado toda vez que um novo paciente entrava. Mas ainda assim, era esquisito... principalmente a sensação de sentar sobre aquela superfície porosa, sentir aquele cheiro tão comum às papelarias subir-lhe às narinas só para desaparecer em poucos segundos. De repente lhe vem à cabeça o real motivo porque aquilo lhe parece tão estranho: a faz sentir como fatias de frios sendo embrulhados no balcão de uma padaria. Se pergunta se não seria exatamente este o tipo de papel que usam nas panificações mais antigas, onde as mercadorias compradas ainda são amarradas com barbante e talvez até ainda sirvam refrigerante em garrafas de vidro como se fazia quando ela era pequena.

Uma porta se abre no canto esquerdo da sala e uma figura vestida com um longo jaleco branco entra. Há um nome bordado no bolso direito antecedido pela sigla "Dr." Ele se apresenta e pergunta se ela já havia feito esse tipo de exame antes. "Já".

A enfermeira volta e o aparelho é preparado. O DVD entregue previamente à enfermeira é inserido num console prateado e após uma rápida sensação de congelamento riscos brancos inundam a tela antes negra.

É como o fundo o oceano capturado pelas lentes de uma câmera dos anos 20(desconsiderando o fato de que uma câmera dessa época jamais poderia ter sido submersa). Mas aquele oceano preto e branco se move com brandura, um compasso de ondas suaves e mansas como as de uma bahia profunda e deserta e no meio dela, flutuando tranquilamente nas águas pacíficas e protetoras ela o vê. Um feijãozinho de "nove virgula quatro milímetros" menor talvez que a ponta de suas unhas, com certeza menor que a maioria dos pelos de seus braços mas dono de uma importancia, de um amor, de um carinho, de cuidados, de preocupações, de um poder de transformação absolutamente imensos. Milhares de milhares de milhares de vezes maior que seu ínfimo tamanhinho. Esse feijãozinho é o meu bebê.

Bem vindo.
Namaste.

0.1

What can I write right now? I'm here on my husband's workplace waiting the long 40 minutes I still have left untill 4p.m. There's not really much to do around here. Many people walk around talking to each other and checking information on their computer's screen... Some make jokes, others laugh, and there are still the ones who keep doing their jobs. A cell phone on the other work area was ringing by "y soy Rebelde", what is funny and yet weird at the same time, since we're talking about a place where people are around their 23's or 40's. Anyway... It's not ringing anymore... And even if it was, I'm now comfortably far away from it. May God help my kid not to like those kind of empty-massively-sold merchandise...

More than ever I wish I could really write something nice. I wish I could, perhaps, open the cutains of a different world, full of amasing and interesting things. I'm not good with stories... I found that out the worst way. I'm also not very good with confessions or short stories or prose in general. But I was once good at poetry. Until it got corrupted. Corrupted by my mistakes and this way, uninteresting and unworthy of my love's eyes.

I'm trying to put myself together and restart believing on my writing skills. The thing is that the fact that nobody visits this blog or gives me any cheerful comment is really not helping right now.

Anyhow... I guess I'll stop right here and try to begin something completely different when this page reload white again.

Namaste.