Tuesday, February 26, 2008

Hoje eu vi um blog

Definitivamente acho que sou uma pessoa estranha. Eu acordo, juro que vou estudar, prometo que 12:30 eu to almoçando, acordo meu ser-mais-amado-do-mundo, preparo café da manhã pra gente, o qual nunca-jamais inclui café... E o vejo partir com ar cansado e feliz pro trabalho. Às vezes eu invejo um pouco o fato de que ele vai pro trabalho e já faz um tempo que eu não. Pelo menos não de segunda-a-sexta...

Daí eu arrumo a casa, ou não, escovo os dentes, ou não (sim... to tentando deletar o "ou não" dessa parte...), faço alguma coisa produtiva, ou não, ligo a tv (em algum ponto do dia, ela acaba ligando...), assisto o jornal, ou não, rodo pelos canais disponíveis (SEEEEMMMMPREEEEE) e acabo assistindo a um monte de coisa que eu me disse pelo menos uma vez que não ia assistir... Como é o caso das reprises do Scrap Mtv, que não é de todo ruim, mas também não é tão legal... (Apesar de eu curtir o sotaque paulista da Marimoon, aquele cabelo rosa-chiclete-que-eu-nunca-vou-ter-um-igual e o fato de eu me divertir como uma insana com o fato de que esse mesmo cabelo aparece desbotado-agodão-doce-de-circo na abertura e eu não me decidi se é um efeito ou se ela refez a tintura pra começar as gravações...)

Hoje (ou ontem...) por algum acaso, a entrevistada era uma escritora. A primeira escritora que eu ouvi falando que ler Senhora, Cinco Minutos e Iracema fazem uma criatura não gostar de ler. O que pode até ser verdade... Afinal, clássicos da literatura brasileira lidos apenas para se fazer uma prova no fim do bimestre quando você é um adolescente que não quer saber de mais nada além das suas baladas, da sua música (seja ela qual for) e do tal cara ou garota que você tá afim, pode sim, é verdade, ser um tanto pedante... Mas enfim... Se há coragem... Há discurso. A questão é que D. Clara Averbuck já publicou três livros (ou quatro), um deles foi adaptado pro cinema, e metade da sua obra teve os direitos comprados pelo Murilo (não lembro mais se é o Rosa, mas é o mesmo que fez o filme NOME PRÓPRIO) e eu acabei de perder o fio da meada...
Ah sim... Os blogs dela, assim como o da Marimoon são frenéticamente visitados e eu acabei me perguntando: Por que o meu não? - Ah, sim... porque tá em private, e a barrinha do blogspot tá escondida HUAhauhauhauhauhauaha!!!!

Enfim... Não era disso que eu ia falar... Tinha a ver com os títulos dos posts em inglês, dos pedaços de música no meio das histórias e a discussão sobre o que é verdade, o que é mentira e o quanto da própria vida a gente acaba colocando nesses pixels... Blogs são coisas estranhas. A gente escreve pra ser lido, mas no fundo ou não é lido por quem a gente queria que lesse ou é lido por quem a gente não queria... Blog é quase como andar na rua. Por o seu mundo num blog, mesmo que seja o mundo distorcido, enfeitado, disfarçado, feito de arte ou de pouca coisa é o mesmo que sair na rua de cara limpa, de sair na vida de cara limpa e sofrer a interpretação dos outros. O chato quando você escreve e quando você faz qualquer outra coisa nessa vida é que as pessoas nunca vão te ler como você gostaria que elas lessem. Elas sempre vão te interpretar. Às vezes você vai sair bem parecido com o que você é, as vezes completamente diferente. Mas é a vida... E a gente faz o melhor dela sempre.

Namaste.

Friday, January 18, 2008

Um minúsculo sinal verde pisca sob a tela escura. Um bipe corta o silêncio da sala gelada. O silêncio e a penumbra são de tal forma perturbadores que ela chega a pensar que são eles a causa do frio intenso que está sentindo.

A enfermeira veio, ajeitou-a na maca coberta com um papel que imagina servir para manter o local higienizado e se foi. Quantas pessoas afinal deitariam naquela maca forrada de corino por dia? Parecia sensato cobrí-la com um papel trocado toda vez que um novo paciente entrava. Mas ainda assim, era esquisito... principalmente a sensação de sentar sobre aquela superfície porosa, sentir aquele cheiro tão comum às papelarias subir-lhe às narinas só para desaparecer em poucos segundos. De repente lhe vem à cabeça o real motivo porque aquilo lhe parece tão estranho: a faz sentir como fatias de frios sendo embrulhados no balcão de uma padaria. Se pergunta se não seria exatamente este o tipo de papel que usam nas panificações mais antigas, onde as mercadorias compradas ainda são amarradas com barbante e talvez até ainda sirvam refrigerante em garrafas de vidro como se fazia quando ela era pequena.

Uma porta se abre no canto esquerdo da sala e uma figura vestida com um longo jaleco branco entra. Há um nome bordado no bolso direito antecedido pela sigla "Dr." Ele se apresenta e pergunta se ela já havia feito esse tipo de exame antes. "Já".

A enfermeira volta e o aparelho é preparado. O DVD entregue previamente à enfermeira é inserido num console prateado e após uma rápida sensação de congelamento riscos brancos inundam a tela antes negra.

É como o fundo o oceano capturado pelas lentes de uma câmera dos anos 20(desconsiderando o fato de que uma câmera dessa época jamais poderia ter sido submersa). Mas aquele oceano preto e branco se move com brandura, um compasso de ondas suaves e mansas como as de uma bahia profunda e deserta e no meio dela, flutuando tranquilamente nas águas pacíficas e protetoras ela o vê. Um feijãozinho de "nove virgula quatro milímetros" menor talvez que a ponta de suas unhas, com certeza menor que a maioria dos pelos de seus braços mas dono de uma importancia, de um amor, de um carinho, de cuidados, de preocupações, de um poder de transformação absolutamente imensos. Milhares de milhares de milhares de vezes maior que seu ínfimo tamanhinho. Esse feijãozinho é o meu bebê.

Bem vindo.
Namaste.

0.1

What can I write right now? I'm here on my husband's workplace waiting the long 40 minutes I still have left untill 4p.m. There's not really much to do around here. Many people walk around talking to each other and checking information on their computer's screen... Some make jokes, others laugh, and there are still the ones who keep doing their jobs. A cell phone on the other work area was ringing by "y soy Rebelde", what is funny and yet weird at the same time, since we're talking about a place where people are around their 23's or 40's. Anyway... It's not ringing anymore... And even if it was, I'm now comfortably far away from it. May God help my kid not to like those kind of empty-massively-sold merchandise...

More than ever I wish I could really write something nice. I wish I could, perhaps, open the cutains of a different world, full of amasing and interesting things. I'm not good with stories... I found that out the worst way. I'm also not very good with confessions or short stories or prose in general. But I was once good at poetry. Until it got corrupted. Corrupted by my mistakes and this way, uninteresting and unworthy of my love's eyes.

I'm trying to put myself together and restart believing on my writing skills. The thing is that the fact that nobody visits this blog or gives me any cheerful comment is really not helping right now.

Anyhow... I guess I'll stop right here and try to begin something completely different when this page reload white again.

Namaste.