"O conteúdo de Lobato dever ser considerado 'racista' e 'perverso'" - Ministro da Secretaria de Igualdade Racial Eloi Ferreira de Araújo.
O senhor responsável pela citação acima e Antonio Gomes da Costa Neto, servidor da Secretaria de Educação no Distrito Federal, são os responsáveis pelo provável banimento de Monteiro Lobato da lista de autores lidos nas escolas públicas do Brasil. Eu me pergunto como é possível que pessoas de grau cultural tão baixo ocupem cargos públicos em nosso país. Opa... Acho que não posso me perguntar isso. Mas me pergunto se é possível que nós permitamos que tal absurdo se concretize.
O mundo anda mesmo louco. Na França, querem proíbir que mulheres de decendencia árabe usem a burca e aqui, para não levar o preconceito racial para dentro das salas de aula querem proibir os alunos de ler Monteiro Lobato. Aonde foram parar medidas simples como o debate e o diálogo? De que caixa de pandora escapa esse vento sinistro da censura, do cale-se, do "isso não pode ser mencionado". Será que por não ler Caçadas de Pedrinho os alunos das escolas públicas do Brasil não vão deixar de notar a diferença física que existe entre eles? Será que não lendo esse e outros livros eles vão deixar de notar que uns são negros, outros brancos, alguns índios ou descendentes de índios ou de chineses, ou de japoneses, ou de alemães ou de qualquer outra etnia? Claro que não. Tão certo como notar que esse é menino e aquele é menina eles vão notar, cedo ou tarde, que esse é mais moreno e aquele é mais claro. Proibir a leitura de texto tão rico não vai adiantar de nada. Discutir o momento histórico, discutir o significado do que está escrito, isso sim, vai fazer diferença.
Disse o senhor Antonio Gomes da Costa Neto que quando Monteiro Lobato escreveu que Tia Anastácia subiu em uma árvore "como uma macaca de carvão" ele estava sendo racista. Será que esse homem não teve aulas de interpretação de texto? Será que ele não sabe que os macacos são os animais de maior destreza ao subir em árvores? Será que ele não sabe que "de carvão" é aí um adjetivo qualitativo como seria "carmim" ou "de sangue" se estivessemos falando de algo vermelho? Ora... A cor da pele dos africanos e seus decendentes é negra/preta/marrom bem escuro ou não? Assim como a pele dos índios é avermelhada, assim como a pele dos europeus é clara, às vezes transparente e mais aproximada da cor branca ou não? Se assim for, temos que proibir todos os textos em que disserem que alguém tinha a pele clara e branca como porcelana. Temos que proibir todos os textos em que usem cores e os nomes das cores para falar de pessoas. Ora, pelo amor de Deus!!!
O Brasil foi um país em que se usou mão de obra escrava sim! E não só de negros! De índios! De imigrantes europeus! De nós mesmos! Quantos de nós não são escravos ainda hoje, seja nas fazendas clandestinas, seja nas grandes cidades onde trabalhamos 44h por semana por um salário que NÃO cobre metade das coisas que segundo a CONSTITUÍÇÃO deveria cobrir, como SAUDE, LAZER, MORADIA, EDUCAÇÃO. Calar, proibir, censurar não vai ajudar em nada. Não melhorar em nada a taxa de racismo ou qualquer outro tipo de preconceito em nosso país. É preciso diálogo. É preciso medidas culturais e socias. É preciso um movimento que tire as pessoas da miséria de modo dígno porque não é porque há racismo no Brasil que a grande maioria das pessoas pobres são negras. É porque nós fomos um pais de economia escravocrata e até hoje não se fez ou se fez muito pouco para dar dignidade e permitir a sustentabilidade dos descendentes de escravos. A nossa lei áurea só fez expulsar os negros das senzalas e casas senhoriais. Não deu a eles emprego ou condições de se sustentar e viver.
Brasileiros, servidores públicos, ministros, senadores, deputados, homens, mulheres e crianças... Não dêem as costas para o nosso passado. Não calem as poucas vozes que tiveram a coragem de se lançar aos céus desse país. Ouçam, reflitam, debatam, discutam, aprendam, mudem, tomem atitudes construtivas. Nós não precisamos de mais ditadores ou censuradores. Precisamos de voz, de pensadores, de mudança.
É com esperança que encerro esse post. Que existam por essas estradas pessoas com cultura, discernimento, com voz para falar sobre as coisas boas e ruins do nosso país e ajudar a melhorar o que já é bom e a concertar o que é ruim.
Namaste.
:: Justconfessions ::
Mudo agora a essência desse espaço. Quero salpicar de negro as páginas formadas por esses pixels e ver se consigo criar textos tão maravilhosos quanto os que admiro Como dizem no teatro - Merde!
Sunday, November 07, 2010
Saturday, November 06, 2010
Padecendo no paraíso - 1
Todas as meninas que brincam de boneca sonham com o filho perfeito. Todas as adolescentes que escolhem 6 nomes diferentes, três de menina e três de menino sonham com o filho perfeito. Toda mulher que caminha pela rua inconscientemente observando toda criança que vê pela frente sonha com o filho perfeito e tem certeza absoluta que o seu filho jamais usará aquela fantasia horrível de personagem de desenho animado, em hipótese alguma se jogará no chão por causa de um sorvete ou brinquedo e nunca, jamais, vai chorar descontroladamente dentro de um transporte público. Elas também têm certeza que não farão barganhas do tipo "se você fizer isso, eu faço aquilo pra você" e estão 100% seguras de que não serão mães paranóicas que checam cinco vezes por noite se o filho ainda está respirando.
Toda mulher que tem filhos vê todas essas ilusões ruírem até o segundo ano de seu filho ou filha. Até lá, você já vai ter chorado juntou ou mais que ele ao dar uma vacina, já vai ter passado metade da noite ao lado do berço verificando a respiração dele; já vai ter corrido atrás dele dentro do restaurante sentindo as bochechas queimarem de vergonha e indignação; já vai ter entrado em pânico quando ele se jogou no chão no meio do supermercado e amaldiçoado a si mesma por anos atrás, ter olhado aquela mãe do shopping com desaprovação e feito "tsc tsc tsc"; já vai ter inchado de orgulho quando ele disse mamãe e ficado ou super enciumada, se a primeira palavra foi "papai" ou absolutamente besta se foi "banana"; já vai ter criado cinco métodos diferentes para dizer "tchau" quando tem que sair sem ele e continua sentindo vontade de chorar e desistir de sair quando o vê chorando porque você está indo embora; já vai ter torcido pra ele crescer/andar/deixar as fraldas logo e se arrependido profundamente.
Ser mãe é isso. Reiventar o mundo e a si mesmo diariamente, milhões de vezes por minuto e - caso você seja uma pessoa mentalmente saudável - amar cada segundo.
Toda mulher que tem filhos vê todas essas ilusões ruírem até o segundo ano de seu filho ou filha. Até lá, você já vai ter chorado juntou ou mais que ele ao dar uma vacina, já vai ter passado metade da noite ao lado do berço verificando a respiração dele; já vai ter corrido atrás dele dentro do restaurante sentindo as bochechas queimarem de vergonha e indignação; já vai ter entrado em pânico quando ele se jogou no chão no meio do supermercado e amaldiçoado a si mesma por anos atrás, ter olhado aquela mãe do shopping com desaprovação e feito "tsc tsc tsc"; já vai ter inchado de orgulho quando ele disse mamãe e ficado ou super enciumada, se a primeira palavra foi "papai" ou absolutamente besta se foi "banana"; já vai ter criado cinco métodos diferentes para dizer "tchau" quando tem que sair sem ele e continua sentindo vontade de chorar e desistir de sair quando o vê chorando porque você está indo embora; já vai ter torcido pra ele crescer/andar/deixar as fraldas logo e se arrependido profundamente.
Ser mãe é isso. Reiventar o mundo e a si mesmo diariamente, milhões de vezes por minuto e - caso você seja uma pessoa mentalmente saudável - amar cada segundo.
.a
Os quentes raios de sol penetravam sem convite através da janela, iluminando o chão empoeirado, a cômoda bagunçada, as roupas emboladas no chão e os sapatos empilhados perto da porta. Intruso. O sol era um intruso impertinente em seu mundo escuro e frio. Como ele ousava continuar brilhando? Como o vento podia ainda estar soprando? O que havia de errado com o mundo, com o planeta, para que tudo continuasse girando, se movendo, os dias iniciando e findando como se nada tivesse acontecido?
Ela cobriu o rosto com o travesseiro e deu as costas para a janela. Não queria ver o sol ou as núvens, ou sentir a brisa que entrava trigueira pela janela semi-aberta. Não queria ouvir os malditos pássaros que trinavam na copa da árvore próxima. Não queria atestar o fato de que "a vida continuava". A vida não podia continuar. Não era certo. Não era possível. Não quando o vazio em seu peito era tão sufocante. Não quando o chão sob seus pés parecia esfarelar e todas as suas certezas tivessem se tornado dúvidas. Não. Não era justo. O mundo inteiro devia estar em luto junto com ela. O mundo inteiro devia se afundar em um inverno chuvoso e cinza, frio e melancólico, como o que ela sentia dentro de si. Como era cruel que lá fora o sol brilhasse intensamente, a brisa corresse insensata e fresca, o mundo girasse e ninguém se desse conta do que acontecia ali dentro. Ela queria dormir. Descansar. Queria mergulhar nas trevas de seu quarto e não acordar nunca mais.
(...)
Ela cobriu o rosto com o travesseiro e deu as costas para a janela. Não queria ver o sol ou as núvens, ou sentir a brisa que entrava trigueira pela janela semi-aberta. Não queria ouvir os malditos pássaros que trinavam na copa da árvore próxima. Não queria atestar o fato de que "a vida continuava". A vida não podia continuar. Não era certo. Não era possível. Não quando o vazio em seu peito era tão sufocante. Não quando o chão sob seus pés parecia esfarelar e todas as suas certezas tivessem se tornado dúvidas. Não. Não era justo. O mundo inteiro devia estar em luto junto com ela. O mundo inteiro devia se afundar em um inverno chuvoso e cinza, frio e melancólico, como o que ela sentia dentro de si. Como era cruel que lá fora o sol brilhasse intensamente, a brisa corresse insensata e fresca, o mundo girasse e ninguém se desse conta do que acontecia ali dentro. Ela queria dormir. Descansar. Queria mergulhar nas trevas de seu quarto e não acordar nunca mais.
(...)
Thursday, November 04, 2010
Outono
Eu vejo o verão em minha porta
mas dentro de mim reina outono
Eu vejo o inverno soprar nas janelas
mas dentro de mim reina outono
Eu vejo a primavera beijandos os jardins
mas dentro de mim...
Ai... Dentro de mim, reina outono
E não posso usar meus vestidos floridos
não posso usar meus casacos pesados
não posso usar meus sapatos azuis
Pois dentro de mim reina outono.
Gabriele Fascino.
mas dentro de mim reina outono
Eu vejo o inverno soprar nas janelas
mas dentro de mim reina outono
Eu vejo a primavera beijandos os jardins
mas dentro de mim...
Ai... Dentro de mim, reina outono
E não posso usar meus vestidos floridos
não posso usar meus casacos pesados
não posso usar meus sapatos azuis
Pois dentro de mim reina outono.
Gabriele Fascino.
Apenas mais um
Qual será o misterioso gatilho que ativa a transferência das idéias que navegam em minha mente para o papel? Como devoradora de livros que sou tenho visto ultimamente textos dos mais variados... Desde os brilhantes aos medíocres.
Mas como é possível que tantas pessoas ao redor do mundo sejam capazes de fazer essa transferência com tanto sucesso e eu, que tenho tantas idéias vagando em barquinhos em minha mente turbulenta, não consiga?
Ah... Aqui vou eu divagando novamente... Estou cansada de divagar... Eu quero que as letras se juntem e conectem em palavras e frases conexas, coesas e significativas. Eu quero um bestseller, um texto encorajador e inspirador... Argh... Medíocre, medíocre, medíocre...
De que valem os desejos e sonhos sem o bendito gatilho que os fará realidade?
Mas como é possível que tantas pessoas ao redor do mundo sejam capazes de fazer essa transferência com tanto sucesso e eu, que tenho tantas idéias vagando em barquinhos em minha mente turbulenta, não consiga?
Ah... Aqui vou eu divagando novamente... Estou cansada de divagar... Eu quero que as letras se juntem e conectem em palavras e frases conexas, coesas e significativas. Eu quero um bestseller, um texto encorajador e inspirador... Argh... Medíocre, medíocre, medíocre...
De que valem os desejos e sonhos sem o bendito gatilho que os fará realidade?
Thursday, September 16, 2010
Redescobertas
Mais uma vez o fundo branco me instiga e desafia. No fundo, a paixão de meu sogro por seus textos cheios de idéias e vazio de conectivos me desestabiliza... Aonde foi a minha paixão pelas letras e palavras? Aonde foi o meu desejo de manchar de negro ou azul a brancura singela das páginas e dos pixels? Não me lembro.
Talvez eu devesse voltar a estudar a arte de escrever e versar. Talvez eu devesse simplesmente exercitar por conta própria esses dedos que ainda lembram de cor a localização das letras no teclado suave... Talvez eu deva parar de dizer tantos talvez e precise voltar a realizar.
Talvez eu devesse voltar a estudar a arte de escrever e versar. Talvez eu devesse simplesmente exercitar por conta própria esses dedos que ainda lembram de cor a localização das letras no teclado suave... Talvez eu deva parar de dizer tantos talvez e precise voltar a realizar.
Wednesday, May 06, 2009
Tentativas.2
Se eu contasse meu
mundo em cinco minutos
começaria com um só passo
Um pé descalço
plantado no asfalto
que não sabia se
ia alto ou baixo.
Depois, num repente,
outro pé, diferente,
surgiu desse lado,
ou do lado de lá.
E os pés se casaram,
correram, brincaram,
e andaram o mundo
felizes de estar.
Dois pés, bem juntinhos,
tão juntos, quentinhos,
que um terceiro pé
surgiu devagar.
E agora pulavam,
corriam, cantavam,
porque eram três,
três pés com efeito,
Três pés, porque três
é um número perfeito.
Pai, mãe e filho,
Eu tu e ele.
Um dois e três
E três é perfeito.
Fascino, 6 de maio de 2009.
mundo em cinco minutos
começaria com um só passo
Um pé descalço
plantado no asfalto
que não sabia se
ia alto ou baixo.
Depois, num repente,
outro pé, diferente,
surgiu desse lado,
ou do lado de lá.
E os pés se casaram,
correram, brincaram,
e andaram o mundo
felizes de estar.
Dois pés, bem juntinhos,
tão juntos, quentinhos,
que um terceiro pé
surgiu devagar.
E agora pulavam,
corriam, cantavam,
porque eram três,
três pés com efeito,
Três pés, porque três
é um número perfeito.
Pai, mãe e filho,
Eu tu e ele.
Um dois e três
E três é perfeito.
Fascino, 6 de maio de 2009.
Tentativas
Sopra, sopra
a leve brisa;
tirilintam as gotas
finas;
tremem as folhas
das janelas
tremem as portas
e portelas;
dançam cortinas
roupas nos varais
dançam meninas
e dançam pardais
Leve é a chuva
que cai...
que cai...
e tirilinta nos peitorais.
Fascino, 6 de maio de 2009.
a leve brisa;
tirilintam as gotas
finas;
tremem as folhas
das janelas
tremem as portas
e portelas;
dançam cortinas
roupas nos varais
dançam meninas
e dançam pardais
Leve é a chuva
que cai...
que cai...
e tirilinta nos peitorais.
Fascino, 6 de maio de 2009.
Tuesday, February 26, 2008
Hoje eu vi um blog
Definitivamente acho que sou uma pessoa estranha. Eu acordo, juro que vou estudar, prometo que 12:30 eu to almoçando, acordo meu ser-mais-amado-do-mundo, preparo café da manhã pra gente, o qual nunca-jamais inclui café... E o vejo partir com ar cansado e feliz pro trabalho. Às vezes eu invejo um pouco o fato de que ele vai pro trabalho e já faz um tempo que eu não. Pelo menos não de segunda-a-sexta...
Daí eu arrumo a casa, ou não, escovo os dentes, ou não (sim... to tentando deletar o "ou não" dessa parte...), faço alguma coisa produtiva, ou não, ligo a tv (em algum ponto do dia, ela acaba ligando...), assisto o jornal, ou não, rodo pelos canais disponíveis (SEEEEMMMMPREEEEE) e acabo assistindo a um monte de coisa que eu me disse pelo menos uma vez que não ia assistir... Como é o caso das reprises do Scrap Mtv, que não é de todo ruim, mas também não é tão legal... (Apesar de eu curtir o sotaque paulista da Marimoon, aquele cabelo rosa-chiclete-que-eu-nunca-vou-ter-um-igual e o fato de eu me divertir como uma insana com o fato de que esse mesmo cabelo aparece desbotado-agodão-doce-de-circo na abertura e eu não me decidi se é um efeito ou se ela refez a tintura pra começar as gravações...)
Hoje (ou ontem...) por algum acaso, a entrevistada era uma escritora. A primeira escritora que eu ouvi falando que ler Senhora, Cinco Minutos e Iracema fazem uma criatura não gostar de ler. O que pode até ser verdade... Afinal, clássicos da literatura brasileira lidos apenas para se fazer uma prova no fim do bimestre quando você é um adolescente que não quer saber de mais nada além das suas baladas, da sua música (seja ela qual for) e do tal cara ou garota que você tá afim, pode sim, é verdade, ser um tanto pedante... Mas enfim... Se há coragem... Há discurso. A questão é que D. Clara Averbuck já publicou três livros (ou quatro), um deles foi adaptado pro cinema, e metade da sua obra teve os direitos comprados pelo Murilo (não lembro mais se é o Rosa, mas é o mesmo que fez o filme NOME PRÓPRIO) e eu acabei de perder o fio da meada...
Ah sim... Os blogs dela, assim como o da Marimoon são frenéticamente visitados e eu acabei me perguntando: Por que o meu não? - Ah, sim... porque tá em private, e a barrinha do blogspot tá escondida HUAhauhauhauhauhauaha!!!!
Enfim... Não era disso que eu ia falar... Tinha a ver com os títulos dos posts em inglês, dos pedaços de música no meio das histórias e a discussão sobre o que é verdade, o que é mentira e o quanto da própria vida a gente acaba colocando nesses pixels... Blogs são coisas estranhas. A gente escreve pra ser lido, mas no fundo ou não é lido por quem a gente queria que lesse ou é lido por quem a gente não queria... Blog é quase como andar na rua. Por o seu mundo num blog, mesmo que seja o mundo distorcido, enfeitado, disfarçado, feito de arte ou de pouca coisa é o mesmo que sair na rua de cara limpa, de sair na vida de cara limpa e sofrer a interpretação dos outros. O chato quando você escreve e quando você faz qualquer outra coisa nessa vida é que as pessoas nunca vão te ler como você gostaria que elas lessem. Elas sempre vão te interpretar. Às vezes você vai sair bem parecido com o que você é, as vezes completamente diferente. Mas é a vida... E a gente faz o melhor dela sempre.
Namaste.
Daí eu arrumo a casa, ou não, escovo os dentes, ou não (sim... to tentando deletar o "ou não" dessa parte...), faço alguma coisa produtiva, ou não, ligo a tv (em algum ponto do dia, ela acaba ligando...), assisto o jornal, ou não, rodo pelos canais disponíveis (SEEEEMMMMPREEEEE) e acabo assistindo a um monte de coisa que eu me disse pelo menos uma vez que não ia assistir... Como é o caso das reprises do Scrap Mtv, que não é de todo ruim, mas também não é tão legal... (Apesar de eu curtir o sotaque paulista da Marimoon, aquele cabelo rosa-chiclete-que-eu-nunca-vou-ter-um-igual e o fato de eu me divertir como uma insana com o fato de que esse mesmo cabelo aparece desbotado-agodão-doce-de-circo na abertura e eu não me decidi se é um efeito ou se ela refez a tintura pra começar as gravações...)
Hoje (ou ontem...) por algum acaso, a entrevistada era uma escritora. A primeira escritora que eu ouvi falando que ler Senhora, Cinco Minutos e Iracema fazem uma criatura não gostar de ler. O que pode até ser verdade... Afinal, clássicos da literatura brasileira lidos apenas para se fazer uma prova no fim do bimestre quando você é um adolescente que não quer saber de mais nada além das suas baladas, da sua música (seja ela qual for) e do tal cara ou garota que você tá afim, pode sim, é verdade, ser um tanto pedante... Mas enfim... Se há coragem... Há discurso. A questão é que D. Clara Averbuck já publicou três livros (ou quatro), um deles foi adaptado pro cinema, e metade da sua obra teve os direitos comprados pelo Murilo (não lembro mais se é o Rosa, mas é o mesmo que fez o filme NOME PRÓPRIO) e eu acabei de perder o fio da meada...
Ah sim... Os blogs dela, assim como o da Marimoon são frenéticamente visitados e eu acabei me perguntando: Por que o meu não? - Ah, sim... porque tá em private, e a barrinha do blogspot tá escondida HUAhauhauhauhauhauaha!!!!
Enfim... Não era disso que eu ia falar... Tinha a ver com os títulos dos posts em inglês, dos pedaços de música no meio das histórias e a discussão sobre o que é verdade, o que é mentira e o quanto da própria vida a gente acaba colocando nesses pixels... Blogs são coisas estranhas. A gente escreve pra ser lido, mas no fundo ou não é lido por quem a gente queria que lesse ou é lido por quem a gente não queria... Blog é quase como andar na rua. Por o seu mundo num blog, mesmo que seja o mundo distorcido, enfeitado, disfarçado, feito de arte ou de pouca coisa é o mesmo que sair na rua de cara limpa, de sair na vida de cara limpa e sofrer a interpretação dos outros. O chato quando você escreve e quando você faz qualquer outra coisa nessa vida é que as pessoas nunca vão te ler como você gostaria que elas lessem. Elas sempre vão te interpretar. Às vezes você vai sair bem parecido com o que você é, as vezes completamente diferente. Mas é a vida... E a gente faz o melhor dela sempre.
Namaste.
Friday, January 18, 2008
Um minúsculo sinal verde pisca sob a tela escura. Um bipe corta o silêncio da sala gelada. O silêncio e a penumbra são de tal forma perturbadores que ela chega a pensar que são eles a causa do frio intenso que está sentindo.
A enfermeira veio, ajeitou-a na maca coberta com um papel que imagina servir para manter o local higienizado e se foi. Quantas pessoas afinal deitariam naquela maca forrada de corino por dia? Parecia sensato cobrí-la com um papel trocado toda vez que um novo paciente entrava. Mas ainda assim, era esquisito... principalmente a sensação de sentar sobre aquela superfície porosa, sentir aquele cheiro tão comum às papelarias subir-lhe às narinas só para desaparecer em poucos segundos. De repente lhe vem à cabeça o real motivo porque aquilo lhe parece tão estranho: a faz sentir como fatias de frios sendo embrulhados no balcão de uma padaria. Se pergunta se não seria exatamente este o tipo de papel que usam nas panificações mais antigas, onde as mercadorias compradas ainda são amarradas com barbante e talvez até ainda sirvam refrigerante em garrafas de vidro como se fazia quando ela era pequena.
Uma porta se abre no canto esquerdo da sala e uma figura vestida com um longo jaleco branco entra. Há um nome bordado no bolso direito antecedido pela sigla "Dr." Ele se apresenta e pergunta se ela já havia feito esse tipo de exame antes. "Já".
A enfermeira volta e o aparelho é preparado. O DVD entregue previamente à enfermeira é inserido num console prateado e após uma rápida sensação de congelamento riscos brancos inundam a tela antes negra.
É como o fundo o oceano capturado pelas lentes de uma câmera dos anos 20(desconsiderando o fato de que uma câmera dessa época jamais poderia ter sido submersa). Mas aquele oceano preto e branco se move com brandura, um compasso de ondas suaves e mansas como as de uma bahia profunda e deserta e no meio dela, flutuando tranquilamente nas águas pacíficas e protetoras ela o vê. Um feijãozinho de "nove virgula quatro milímetros" menor talvez que a ponta de suas unhas, com certeza menor que a maioria dos pelos de seus braços mas dono de uma importancia, de um amor, de um carinho, de cuidados, de preocupações, de um poder de transformação absolutamente imensos. Milhares de milhares de milhares de vezes maior que seu ínfimo tamanhinho. Esse feijãozinho é o meu bebê.
Bem vindo.
Namaste.
A enfermeira veio, ajeitou-a na maca coberta com um papel que imagina servir para manter o local higienizado e se foi. Quantas pessoas afinal deitariam naquela maca forrada de corino por dia? Parecia sensato cobrí-la com um papel trocado toda vez que um novo paciente entrava. Mas ainda assim, era esquisito... principalmente a sensação de sentar sobre aquela superfície porosa, sentir aquele cheiro tão comum às papelarias subir-lhe às narinas só para desaparecer em poucos segundos. De repente lhe vem à cabeça o real motivo porque aquilo lhe parece tão estranho: a faz sentir como fatias de frios sendo embrulhados no balcão de uma padaria. Se pergunta se não seria exatamente este o tipo de papel que usam nas panificações mais antigas, onde as mercadorias compradas ainda são amarradas com barbante e talvez até ainda sirvam refrigerante em garrafas de vidro como se fazia quando ela era pequena.
Uma porta se abre no canto esquerdo da sala e uma figura vestida com um longo jaleco branco entra. Há um nome bordado no bolso direito antecedido pela sigla "Dr." Ele se apresenta e pergunta se ela já havia feito esse tipo de exame antes. "Já".
A enfermeira volta e o aparelho é preparado. O DVD entregue previamente à enfermeira é inserido num console prateado e após uma rápida sensação de congelamento riscos brancos inundam a tela antes negra.
É como o fundo o oceano capturado pelas lentes de uma câmera dos anos 20(desconsiderando o fato de que uma câmera dessa época jamais poderia ter sido submersa). Mas aquele oceano preto e branco se move com brandura, um compasso de ondas suaves e mansas como as de uma bahia profunda e deserta e no meio dela, flutuando tranquilamente nas águas pacíficas e protetoras ela o vê. Um feijãozinho de "nove virgula quatro milímetros" menor talvez que a ponta de suas unhas, com certeza menor que a maioria dos pelos de seus braços mas dono de uma importancia, de um amor, de um carinho, de cuidados, de preocupações, de um poder de transformação absolutamente imensos. Milhares de milhares de milhares de vezes maior que seu ínfimo tamanhinho. Esse feijãozinho é o meu bebê.
Bem vindo.
Namaste.
0.1
What can I write right now? I'm here on my husband's workplace waiting the long 40 minutes I still have left untill 4p.m. There's not really much to do around here. Many people walk around talking to each other and checking information on their computer's screen... Some make jokes, others laugh, and there are still the ones who keep doing their jobs. A cell phone on the other work area was ringing by "y soy Rebelde", what is funny and yet weird at the same time, since we're talking about a place where people are around their 23's or 40's. Anyway... It's not ringing anymore... And even if it was, I'm now comfortably far away from it. May God help my kid not to like those kind of empty-massively-sold merchandise...
More than ever I wish I could really write something nice. I wish I could, perhaps, open the cutains of a different world, full of amasing and interesting things. I'm not good with stories... I found that out the worst way. I'm also not very good with confessions or short stories or prose in general. But I was once good at poetry. Until it got corrupted. Corrupted by my mistakes and this way, uninteresting and unworthy of my love's eyes.
I'm trying to put myself together and restart believing on my writing skills. The thing is that the fact that nobody visits this blog or gives me any cheerful comment is really not helping right now.
Anyhow... I guess I'll stop right here and try to begin something completely different when this page reload white again.
Namaste.
More than ever I wish I could really write something nice. I wish I could, perhaps, open the cutains of a different world, full of amasing and interesting things. I'm not good with stories... I found that out the worst way. I'm also not very good with confessions or short stories or prose in general. But I was once good at poetry. Until it got corrupted. Corrupted by my mistakes and this way, uninteresting and unworthy of my love's eyes.
I'm trying to put myself together and restart believing on my writing skills. The thing is that the fact that nobody visits this blog or gives me any cheerful comment is really not helping right now.
Anyhow... I guess I'll stop right here and try to begin something completely different when this page reload white again.
Namaste.
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