Todas as meninas que brincam de boneca sonham com o filho perfeito. Todas as adolescentes que escolhem 6 nomes diferentes, três de menina e três de menino sonham com o filho perfeito. Toda mulher que caminha pela rua inconscientemente observando toda criança que vê pela frente sonha com o filho perfeito e tem certeza absoluta que o seu filho jamais usará aquela fantasia horrível de personagem de desenho animado, em hipótese alguma se jogará no chão por causa de um sorvete ou brinquedo e nunca, jamais, vai chorar descontroladamente dentro de um transporte público. Elas também têm certeza que não farão barganhas do tipo "se você fizer isso, eu faço aquilo pra você" e estão 100% seguras de que não serão mães paranóicas que checam cinco vezes por noite se o filho ainda está respirando.
Toda mulher que tem filhos vê todas essas ilusões ruírem até o segundo ano de seu filho ou filha. Até lá, você já vai ter chorado juntou ou mais que ele ao dar uma vacina, já vai ter passado metade da noite ao lado do berço verificando a respiração dele; já vai ter corrido atrás dele dentro do restaurante sentindo as bochechas queimarem de vergonha e indignação; já vai ter entrado em pânico quando ele se jogou no chão no meio do supermercado e amaldiçoado a si mesma por anos atrás, ter olhado aquela mãe do shopping com desaprovação e feito "tsc tsc tsc"; já vai ter inchado de orgulho quando ele disse mamãe e ficado ou super enciumada, se a primeira palavra foi "papai" ou absolutamente besta se foi "banana"; já vai ter criado cinco métodos diferentes para dizer "tchau" quando tem que sair sem ele e continua sentindo vontade de chorar e desistir de sair quando o vê chorando porque você está indo embora; já vai ter torcido pra ele crescer/andar/deixar as fraldas logo e se arrependido profundamente.
Ser mãe é isso. Reiventar o mundo e a si mesmo diariamente, milhões de vezes por minuto e - caso você seja uma pessoa mentalmente saudável - amar cada segundo.
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